|

FEAAC REALIZA 1a
REUNIÃO COM A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL SOBRE OS GRAVES PROBLEMAS QUE AFETAM
OS TRABALHADORES EM LOTERIAS ESPORTIVAS

O presidente da FEAAC,
Lourival Figueiredo Melo. as diretoras Helena Ribeiro da Silva e
Gislaine Sacilotto (SeaacAmericana), o diretor, Vagney Borges de Castro (Seaac
Sto André) acompanhados por Francisco Aquino, assessor de deputado federal
João Paulo Cunha, estiveram no dia 6 de julho, na sede da Caixa Econômica
Federal, em Brasília, onde foram recebidos por Leonam Carlos de Almeida
Campos, assessor parlamentar do Gerep - Gerência Nacional de Relacionamento
Parlamentar; Ana Maria Canton, Gerente Operacional da Gearp - Gerência
Nacional de Administração das Redes Parceiras, e Josemir Mangueira Assis,
Gerente Nacional da Gerência Nacional da Administração de Redes Parceiras.
Josemir é o responsável pelo relacionamento da Caixa com os
proprietários de Casas Lotéricas. A reunião teve a intenção de denunciar à
CEF as irregularidades cometidas pelos lotéricos e a intransigência
patronal. Os sindicalistas reivindicaram a intervenção da CEF junto aos
proprietários lotéricos para solucionar os problemas da categoria. Foi
entregue à Caixa um dossiê (leia abaixo) com relatos e denúncias de toda a
situação.
Segundo Josemir Mangueira Assis, os proprietários de
lotéricas vêm tendo sua remuneração atualizada anualmente e não existe a
defasagem nos recebimentos, alegada pelos mesmos, para não pagar melhores
salários aos funcionários. Josemir também frisou que a permissão de casas
lotéricas no Brasil remunera melhor do que muitas franquias pesquisadas pela
Caixa, deixando claro que para o empresário é um excelente negócio.
Várias indagações presentes em nosso dossiê foram
esclarecidas pela direção da Caixa, em reunião que durou quase duas horas.
Os nossos diretores insistiram para que a Caixa, apesar das imposições
legais a que está submetida, tome posição quanto às péssimas condições de
trabalho impostas aos empregados das lotéricas. Ficou assim aberto um canal
permanente de comunicação com a CEF
Antes de viajar à Brasília o presidente da FEAAC esteve
reunido com a direção estadual da Força Sindical para tratar do assunto. Nos
dias 7 e 8 Lourival permanece em Brasília, reunido com lideranças políticas
e com parlamentares para transformar esse movimento numa ação de abrangência
nacional. Ele deverá visitar a Comissão de Trabalho da Câmara e estará
reunido na CNTC - Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio com
várias Federações e Sindicatos de outros Estados. Na pauta, entre outros
itens, a luta pelo fim do chamado correspondente bancário, evitando que os
lotéricos e o setor do comércio continuem recebendo contas bancárias.
Ainda em julho, a direção da FEAAC se reunirá com o
escritório no Brasil da OIT - Organização Internacional do Trabalho para
denunciar as condições aviltantes a que estão submetidos os empregados das
casas lotéricas.
Também em julho a FEAAC ingressará com ações de cumprimento
do acordo coletivo que vem sendo desrespeitado pelos patrões. Nesta ação a
Caixa Econômica Federal será chamada a responder solidariamente pelos atos
dos donos das lotéricas.
A ida da direção da FEAAC à Caixa Econômica Federal, em
encontro agendado pela assessoria do deputado João Paulo Cunha, mostra a
disposição de negociar, em alto nível, o que não vem ocorrendo com o
Sincoesp, que continua inflexível e radicalizando as suas posições. Agora
quem fala alto pelos trabalhadores lotéricos é a FEAAC, que furou o bloqueio
dos patrões e dos sindicatos que estão fora das negociações. Quanto a esses
últimos, os sindicatos que aceitaram “depressinha” a proposta do Sincoesp e
que apenas assistem a toda essa movimentação, cabe lembrar que a luta
continua.
BREVE DOSSIÊ SOBRE OS TRABALHADORES EM LOTERIAS
Negociações difíceis com os donos de loterias
Segundo o Sindicato que representa os donos de Loterias
Esportivas os mesmos não têm como atender aos pedidos dos trabalhadores, já
que são concessionários da Caixa Econômica Federal, e por isso obrigados a
respeitar as determinações da Caixa, caso contrário podem ter a concessão
cancelada, com o desligamento das máquinas.
Alegam também que foram obrigados a executar serviços
bancários sem remuneração justa e sem qualquer consulta prévia, numa
determinação que veio da CEF e teve de ser acatada.
Em nossa visão, que se confirma em contrato e circulares
divulgados pela Caixa, a casa lotérica foi transformada num departamento da
CEF. Seus funcionários obedecem a regras que derivam das condições de
funcionamento estabelecidas pela Caixa (a mesma regra serve para as pessoas
físicas que vendem bilhetes nas ruas). Por isso recorremos a esta
instituição, para que possam ser tomadas medidas que beneficiem a categoria
dos trabalhadores em loterias, explorados de forma aviltante pelos
proprietários de casas lotéricas.
Patrões não cumprem a lei
Como se não bastasse, os donos de lotéricas, por diversas
vezes, descumprem sentenças judiciais e se negam a pagar os direitos dos
seus funcionários, o que leva Federação e Sindicatos a buscarem esses
direitos na Justiça, quase sempre com sucesso.
Acúmulo da função bancária
As lotéricas passaram a desempenhar a função de um banco:
recebem contas, IPTU entre elas, pagam aposentadoria, realizam recarga de
cartões das operadoras telefônicas. Há pouco tempo os funcionários apenas
operavam os jogos da Caixa. Hoje acumulam todo esse atendimento e ainda
enfrentam o aumento no numero de modalidade de jogos, o que amplia ainda
mais as atividades dos trabalhadores.
Esses trabalhadores ganham um piso de menos de R$ 400,00 para
realizar, hoje em dia, mais tarefas que um caixa de banco, que tem na
capital de São Paulo um piso superior a mil reais.
Reajuste pela prestação de serviços
Segundo os proprietários das lotéricas, para que realizem
esses serviços da Caixa eles não recebem reajuste de remuneração há quatro
anos, o que inviabiliza o repasse de aumento aos salários dos funcionários.
Visto por esse ângulo a Caixa se tornou o álibi dos proprietários para não
negociar com a Federação e com os Sindicatos.
Lotéricos afirmam que não recebem o repasse
justo pelos serviços prestados
A Caixa Econômica, como banco que é, celebra uma série de
contratos de prestação de serviços com prefeituras e empresas que são
reajustados anualmente, em algum contratos, e semestralmente em outros, os
valores a serem cobrados. Exemplo: por cada conta recebida ou titulo
bancário a Caixa cobra da empresas ou da prefeitura pelo recebimento deste
titulo. Os valores ficam com Caixa.
A Caixa assim, passa a não receber esse segmento da população
em suas agências; essa demanda deságua nas lotéricas. Segundo os lotéricos,
o valor pago às Casas Lotéricas pelo recebimento destas contas não é
reajustado há quatro anos. Ainda alegam que o valor repassado pela caixa
para eles, proprietários, é inferior aos valores que ela repassa aos demais
bancos, quando os mesmos recebem títulos dos clientes da CEF. Exemplo: se o
Bradesco recebe uma conta de IPTU de uma prefeitura, ao repassar para a
Caixa ele recebe um valor maior que a Caixa paga para a Lotérica. Por que
esta diferença se a loteria executa o mesmo serviço de banco?
Violência
As casa lotéricas também passaram a ser alvo constante de
assaltos, pois viram a sua arrecadação aumentar rapidamente. Os bandidos
sabem que existe dinheiro vivo nas lotéricas e que não há qualquer sistema
de proteção para impedir assaltos. Não há instalação de câmeras, alarmes ou
contratação de vigilância; são raros os casos em que isso acontece. Esta
situação aumenta o riso de funcionários e clientes, pois, a população, nos
dias de maior movimento, é obrigada a fazer fila na rua, devido aos pequenos
espaços disponíveis nas lotéricas, que não foram concebidas para abrigar
tantos serviços. Há casos de lotéricas que já foram assaltadas 12 vezes e há
casos de funcionárias que já sofreram ameaças físicas durante os assaltos.
Degradação moral e risco de morte para os
empregados
Circular da CEF determina que os lotéricos efetuem
diariamente os depósitos dos valores recebidos nas suas lojas. Este sistema
é feito, na maioria das vezes, pelas funcionárias, que são obrigadas a
colocar nas suas roupas íntimas estes valores e levá-los até agência
arrecadadora. Algumas vezes são seguidas por agentes ou policias militares
que prestam serviços a alguma lotéricas ou por agentes de quarteirão que
fazem serviços próximos às casas lotéricas. Mas este fato tem sido
denunciado por inúmeros funcionários, pois coloca em risco suas vidas.
Espaço das lotéricas, negação à ergonomia
Como já foi dito acima, o espaço das casas lotéricas não
oferece aos usuários condições adequadas, pois, se trata de espaço pequeno,
não concebido para o acúmulo dos serviços bancários. Impõe-se, assim, uma
péssima condição de trabalho para funcionários e péssima condição de
atendimento à população. O não ajustamento das máquinas (altura, cadeira
apropriada, bancada disforme) já foi de estudos e de ação dos sindicatos,
pois fez com que o aparecimento de LER/DORT já fosse notado nas lotéricas.
Distribuição de máquinas
Segundo informações dos proprietários de Casas Lotéricas,
cada casa recebe, no máximo 4 máquinas, sendo que apenas uma faz todo o tipo
de serviço, ou seja, recebe as contas. Isto gera o seguinte: a pessoa está
na fila e chega o momento dela pagar uma conta; se o caixa que está com esta
máquina estiver ocupado, o cliente é enviado a outra fila e tem que esperar.
Ou seja, as máquinas não atendem a demanda.
Funcionários arcam com erros
As autenticações: todos os documentos recebem a homologação
com o título da Caixa. Só que se ocorrer um erro, a culpa passa para o
proprietário lotérico que, por sua vez, a repassa aos funcionários. Exemplo:
um jogo errado será pago pelo funcionário.
Lucros da Caixa e mérito dos empregados
lotéricos
Denominada como um banco social, o lucro da Caixa vem
aumentando ano após ano. Para isto conta com a colaboração decisiva dos
empregados em loterias, que assumiram para si grande parte do trabalho que
era desempenhado pelas agências da Caixa. Ao repassar esses serviços às
lotéricas a caixa economiza, desafoga suas agências e amplia seus pontos de
atendimento e vendas de produtos.
De todo o dinheiro arrecadado de um prêmio, a Caixa e o
governo ficam com, aproximadamente, 65% a 70%. O apostador recebe 30% do
total do prêmio descontando o Imposto de Renda. Segundo a Caixa, o saldo é
distribuído a vários programas sociais e a várias entidades, como consta em
seu site. Nada mais justo que o empregado de casas lotéricas não seja o
único marginalizado nesta corrente, tendo de enfrentar salários aviltantes e
péssimas condições de trabalho.
Situação limite e exposição moral
Para se ter uma idéia dos absurdos que os funcionários
enfrentam, a limpeza dos estabelecimentos é imposta a eles pelos patrões.
Muitas vezes as funcionárias têm de entrar meia hora antes da jornada para
lavar e limpar a casa lotérica, serviço para o qual deveriam haver
funcionários contratados. Depois desse trabalho ainda enfrentam, muitas
vezes, jornadas de até 12 horas de trabalho, sem a remuneração de horas
extras e sem espaço para as refeições. Quase um trabalho escravo.
Apoio da população
Tentando convencer os patrões a negociarem com as entidades
que representam os trabalhadores, iniciamos um grande movimento junto aos
funcionários e à população do Estado de São Paulo. Como resultado estamos
tendo apoio de trabalhadores, da imprensa e da população.
O que pedimos à CEF
Pedimos o seu apoio e sua intervenção na continuidade das
negociações com os proprietários de loterias. Achamos que a Caixa tem também
uma responsabilidade ética e moral para com os trabalhadores em loterias,
que hoje prestam um serviço fundamental às mais diversas camadas da
população. Por isso nos dirigimos a esta instituição, assim como já o
fizemos a parlamentares e demais autoridades.
Continuamos em permanente
vigília, atentos ao desenrolar deste assunto.
jul/2005 |