Representantes sindicais de trabalhadores de casas lotéricas iniciaram
ontem em Campinas uma série de manifestações por melhores condições de
trabalho. Segundo o presidente da Federação dos Empregados de Agentes
Autônomos do Comércio do Estado de São Paulo (Feaac), Lourival
Figueiredo Melo, a categoria se encontra em estado de greve, embora não
esteja prevista paralisação. No ato em Campinas, manifestantes
distribuíram carta aberta à população com as principais reivindicações
do setor.
O protesto deverá se repetir nos próximos
dias em Americana, Araraquara, Marília, Sorocaba, Santos e Santo
André. Uma manifestação está sendo agendada para São Paulo, em data
ainda não definida. De acordo com Melo, pelo menos 50 manifestantes
participaram do ato no centro de Campinas, com carro de som e cartazes.
O presidente da Feaac acrescentou que as reivindicações foram
encaminhadas a deputados, vereadores e prefeitos.
Os manifestantes pedem que os pisos da
categoria, de R$ 364,72 para lotéricas com até cinco funcionários e R$
418,76, com seis empregados ou mais, sejam equiparados. Segundo Melo, os
empresários deixam de contratar para não pagar maiores salários. O
Sindicato das Lotéricas do Estado de São Paulo (Sincoesp) informou que
as 9.300 lotéricas do País, (2.300 instaladas em São Paulo), empregam em
média quatro funcionários cada.
Os sindicalistas denunciam ocorrência de
doenças ocupacionais por falta de condições de trabalho e falta de
segurança desde que as lotéricas incorporaram serviços bancários, o que
implicou aumento do trabalho em até 50%. Pedem vale-alimentação de R$
176 mensais, folga aos domingos e cumprimento de acordos coletivos.
Os manifestantes afirmam que são obrigados a
fazer serviço em locais impróprios, sem segurança e com altos riscos de
assalto. "As filas saem pelas ruas por falta de espaço", disse Melo.
Segundo ele, os patrões argumentam que não recebem reajuste no repasse
da Caixa Econômica Federal, responsável pela concessão das lotéricas, há
dois anos.
O presidente da Feaac comentou, porém, que a
categoria está satisfeita com o índice de reajuste salarial proposto
pelos patrões este ano, em maio, de 8% para o piso menor e 6% para o
maior. Para o presidente do Sincoesp, Luiz Carlos Peralta, a
manifestação é política e regionalizada. "Já fechamos acordos com 60%
dos sindicatos do Estado de São Paulo", alegou. Peralta afirmou que,
nesses casos, os patrões vão dar reajustes superiores aos pisos mais
baixos, até que estejam equiparados. Disse que o vale-alimentação está
sendo discutido na Justiça e o Sincoesp aguarda decisão do Tribunal
Superior do Trabalho TST.
Segundo Peralta, a Caixa não reajusta tarifas,
que variam de R$ 0,10 a R$ 1 por transação, desde 2001. Ele acrescentou
que os valores das apostas são os mesmos desde 1994, com exceção da
Mega-Sena, que teve reajuste de 50%. Disse ainda que as lotéricas estão
trocando mobiliário e máquinas para "quase zerar" o problema de doenças
ocupacionais.
A Caixa Econômica Federal de Campinas disse
ontem que não iria se manifestar.