
Considerações sobre a II Conferência Nacional
de Políticas para as Mulheres

De 17 a 20 de
agosto de 2007 realizou-se a II CNPM - CONFERÊNCIA DE POLÍTICAS PARA MULHERES,
quando 2800 delegadas (eleitas a partir dos debates ocorridos nas conferências
municipais e estaduais, que foram etapas anteriores e mobilizavam
aproximadamente 200 mil mulheres em todo o Brasil), reuniram-se para discutir
assuntos pertinentes ao Plano Nacional de Políticas para Mulheres, seus avanços
e implementações e a atual participação da mulher nas esferas do poder como
vínculo e solução para que tais políticas saíssem do papel.
Abertura da II CNPM em Brasília
As mulheres
reuniram-se em um clima democrático para “Discutirem o Brasil” e
as políticas voltadas a uma parcela da sociedade que busca maior igualdade entre
os sexos. Muitos avanços foram obtidos nos últimos anos a partir da reflexão
conjunta, que cada vez mais conscientiza as mulheres, que apropriam-se de
suas conquistas, percebendo que o estabelecimento de novas metas impõe-se ao seu
efetivo empoderamento.

O Seaac de
Americana e Região esteve presente com duas representantes, sua presidenta
Helena Ribeiro da Silva (Secretaria Estadual da Mulher da Força Sindical) e
diretora Antonia Vicente Gomes, ambas conselheiras do CMDM de Americana. Também
se fizeram presentes a Secretaria Nacional da Mulher da Força Sindical através
de Neuza Barbosa de Lima, o Seaac de Sorocaba e Região, a Companheira Elzide
Tunuchi de atuou na coordenação de Relatoria da Conferência. Todas participaram
deste momento histórico da nossa democracia, personificando o principal tema
desta conferência, com seu exemplo de participação
política dentro da
instituição e da própria sociedade
Helena, Ministra Nilcéia, Élzide e Antonia
civil.
A II CNPM fez um
balanço das conquistas e também propôs novas idéias para prosseguir na busca por
maior equidade de gênero. Divididos em eixos os debates aprofundaram-se no
sentido de melhorar o PNPM ampliando-o em 5 novos eixos de ação que são:
Desenvolvimento Sustentável; Direito das Mulheres à Terra e Moradia; Cultura,
Comunicação e Mídia não Discriminatória; Enfrentamento a todas as formas de
Discriminação, entre elas o Racismo, o Sexismo e a Lesbofobia; Políticas que
assegurem a Igualdade de Tratamento entre Mulheres de Diferentes Idades e
Gerações.
Buscando dar
continuidade às ações concretas, principalmente, àquelas voltadas à política de
não discriminação de gênero, com o intuito de um olhar mais amplo que busque na
teoria e na ação uma facilidade maior para a implementação de tais políticas,
novos enfrentamentos foram propostos.
Avaliação do
PNPM
Avanços:
1.
Incorporação da
transversalidade de gênero nas políticas públicas;
2. Conquistas no
enfrentamento da violência contra a mulher como:
- Lei Maria da
Penha
- Criação de
juizados especiais de violência contra a mulher
- Apoio direto
através da celebração de convênios para casas abrigo e centro de referência
- Capacitação de
profissionais
Helena e Maria da Penha
3. Inclusão do
tema Mulher nos espaços de Poder
Enfrentamentos:
1. Falta
de Conselhos Municipais de Direitos da Mulher
2. Cultura
patriarcal/machista
3. Falta
de compreensão sobre políticas para as mulheres
Para cada um dos
dez eixos foram aprovadas inúmeras ações. No eixo Sustentabilidade, por exemplo,
as delegadas da conferência indicaram o veto ao cultivo e à comercialização de
produtos transgênicos e agrotóxicos como alternativa para a produção de
alimentos saudáveis.
Neuza (Força) Élzide e Helena
Com relação ao
novo eixo Cultura, Comunicação e Mídia não Discriminatória, o movimento de
mulheres e feminista aprovou a criação de mecanismos de controle social sobre o
uso da imagem da mulher nos meios de comunicação. As mulheres da II CNPM
discutiram a qualidade da programação das televisões e rádios e incluiu como
critério de concessão dos canais, o controle na veiculação de programas que
estimulem a discriminação e a intolerância religiosa.

O já existente
eixo Saúde das Mulheres, Direitos Sexuais e Reprodutivos incluiu como prioridade
a reapresentação ao Congresso Nacional, pelo Poder Executivo, do projeto de lei
que prevê a interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana, por decisão das
mulheres e até 20 semanas se a gravidez resultar da violência sexual.
Outra prioridade
é a proposta de licença maternidade de 6 meses para as trabalhadoras de qualquer
tipo de regime de trabalho. As delegadas também querem garantir, por
intermédio do PNPM, que as mulheres grávidas de feto com má-formação
incompatível com a gestação tenham direito à antecipação terapêutica do parto
sem a autorização prévia da justiça.

Outra
deliberação da II CNPM é pelo aumento de investimentos do Fundo de
Desenvolvimento de Educação Básica (Fundeb) para ampliar o atendimento de
crianças até 3 anos em creches públicas. Essa medida faz parte das novas
prioridades incluídas no eixo educação.
As delegadas da
II CNPM também destacaram os avanços e os obstáculos na implementação do PNPM de
2004 até hoje. A sanção da Lei Maria da Penha, por exemplo, foi considerada como
uma das conquistas no enfrentamento da violência contra as mulheres.
Outro destaque
foi à criação da comissão tripartite para a revisão da legislação punitiva
contra o aborto e o encaminhamento de um projeto ao Congresso Nacional. Porém, o
não cumprimento das normas federais de padronização de procedimentos pelas
Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs), a não redução da
mortalidade materna, a descontinuidade da tramitação do projeto de lei de
interrupção voluntária da gravidez, além da inexistência de um orçamento de
gênero no Plano Plurianual do Governo Federal, foram apontados como desafios a
serem superados nessa nova etapa do PNPM.
Após este resumo
dos temas que mais foram destacados no encontro, vale lembrar que o II CNPM
aprovou 28 recomendações para garantir a paridade de gênero nos espaços de
poder, entre elas estão à revisão da legislação dos partidos políticos e a
garantia de cotas nos cargos de direção dos poderes executivos, legislativo e
judiciário. Essas recomendações batem de frente com uma estrutura patriarcal da
política brasileira, propondo-se não o seu fim, mas o começo de uma nova era em
que as mulheres garantirão maior participação nos espaços de poder.

Segundo representantes do legislativo e do executivo é preciso modificar as
estruturas dos partidos para assegurar a participação das mulheres.
“Temos que ter acesso ao poder para exercer e transformar o poder. Então,
precisamos, desde já, mexer nas estruturas dos partidos políticos e ocupar os
nossos espaços”. A frase é de Betânia Ávila, representante do SOS Corpo –
Instituto Feminista pela Democracia, mas resume bem o pensamento do movimento de
mulheres e feministas neste terceiro dia da II Conferência Nacional de Políticas
para as Mulheres (II CNPM).
A participação
das mulheres começa nos movimentos sociais, políticos e sindicais, mas,
infelizmente, quando elas vão compor efetivamente os cargos de direção, esse
direito lhes é negado.
Apesar de apoiar
as AÇÕES AFIRMATIVAS para garantir o acesso das mulheres aos espaços depoder, a
lei de cotas (9.504/97) não é cumprida porque não há cobrança da sociedade
brasileira. Essa lei estabeleceu a obrigatoriedade de reserva de, no mínimo, 30%
das vagas de candidaturas dos partidos políticos para as mulheres, e isso deve
ser verificado, juntamente com as propostas colocadas pelo II CNPM, para a
reforma política.
Ago/07

