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Mais Mulheres no Poder!
Conquistar a
igualdade e a justiça são alguns dos objetivos que as mulheres lutam
para alcançar. Nada justifica que as guerreiras que batalham
diariamente dentro e fora de casa, ajudando a construir o
desenvolvimento do país sejam discriminadas com salários inferiores,
condições precárias de trabalho, violência doméstica etc. Elas tem tanta
capacidade quanto o homem, através de sua competência, criatividade,
maneira de encarar os desafios, gerenciar problemas, encontrar soluções.
Hoje, graças aos
movimentos feministas, muitas mudanças ocorreram na situação social das
mulheres, como sua crescente educação, participação no mercado de
trabalho, presença nos poderes públicos, nas chefias das famílias, tudo
para garantir e ampliar os seus direitos.
Entretanto muitos
ainda não reconhecem a importância das questões de gênero nas políticas
públicas. Por isso, é extremamente necessário tornar mais feminina a
representação política no legislativo, executivo e judiciário, uma
condição fundamental para a consolidação da democracia social no Brasil.
Vale lembrar que o
Brasil é um país moderno em que 88% do seu eleitorado votariam em uma
mulher para a Presidência da República, percentual que vai a 100% entre
os eleitores de maior nível de escolaridade. Portanto, entre elas não
deve haver dúvidas, nem porque ficar esperando. É preciso ocupar o
espaço político que lhes cabe por direito, candidatando-se.
A Diretoria
Jovem Sindicalista!
Os jovens são o
futuro do movimento sindical e da humanidade em geral. No entanto, são
também os mais afetados pelo desemprego e informalidade, falta de
educação e formação adequada, além de discriminação no trabalho. E nem
sempre sabem que a melhor forma de combater estes problemas é
filiando-se ao sindicato de classe, participando do movimento sindical.
Apenas a organização
sindical é capaz de promover ações concretas a favor da educação e do
trabalho decente, influindo nas políticas de governo, de modo a
preencher as expectativas da juventude, que encontra imensas
dificuldades para conseguir formação de qualidade para conquistar o
primeiro emprego.
E o movimento
sindical sabe que não basta lutar pela questão trabalhista. É preciso
pensar também no próprio movimento que necessita constantemente de
reforços e revitalização, que só podem ser fornecidos pela juventude.
Assim é necessário
conquistar a plena integração dos jovens aos sindicatos, respondendo às
suas preocupações e expectativas. Para tanto é preciso promover ações
destinadas a melhorar a sindicalização e representação dos trabalhadores
jovens nos sindicatos, de modo que tenham voz dentro da entidade e seus
direitos sejam protegidos.
Hoje, a grande
maioria das centrais, federações e sindicatos já contam com um órgão
destinado a trabalhar diretamente com os jovens que desejam ser os
protagonistas de suas próprias demandas, contribuindo ativamente na
construção e implementação de políticas e programas que atendam as
diferentes realidades da juventude. É preciso apenas querer participar e
mobilizar-se!
Você, jovem está
convidado, venha mudar o Brasil!
A Diretoria
SAÚDE DA MULHER: um
simples direito!
A saúde da mulher não pode mais se resumir
aos olhos do poder público pela relação materno-infantil. As políticas
devem incorporar a concepção de direitos sexuais e direitos
reprodutivos, abrangendo a visão de cuidado à mulher em todas as suas
fases de vida, da infância ao envelhecimento saudável.
Por isso, é cada vez mais necessário que o
Estado brasileiro adote políticas acessíveis às necessidade das mulheres
brasileiras, que devem ser vistas como cidadãs,
com direitos iguais e, ainda
mais, como pessoas com capacidade
de decisão, que possuem especificidades
no processo de saúde e doença
em função da condição
feminina. E, isto tanto no que se refere à
saúde, como também sobre as
condições gerais de vida e
trabalho.
No Brasil uma questão inaceitável é o
número de mortes de mulheres
que poderiam ser facilmente evitáveis, principalmente as chamadas
mortes maternas, aquelas por câncer do colo de útero, por Aids e aborto.
A maioria desses óbitos poderiam
ser evitados pela aplicação
de políticas públicas de prevenção, acessíveis às camadas mais
necessitadas da população. Também é inaceitável o número de mortes e
seqüelas provocadas pela violência (doméstica, psicológica, física,
moral, patrimonial, sexual e até mesmo o tráfico de mulheres) um mal que
atinge mulheres de diferentes classes sociais, origens, regiões, estados
civis, escolaridade ou raças.
Portanto, nada mais natural que o movimento
organizado de mulheres intervenha na política nacional de saúde,
exercendo influência dentro e fora dos partidos políticos, promovendo
pressões, debates e compromissos que exigem a implantação de um sistema
de saúde que garanta os princípios fundamentais de universalidade,
especificidade e gratuidade; que a legislação de saúde seja revisada nos
aspectos que possibilitem sua efetiva eficácia e implantação, que os
estados e municípios pautem as questões mais imediatas e urgentes que
estão sob sua responsabilidade e que a violência seja contida de forma
dura pela lei.
São apenas direitos que deveriam ser
respeitados e cumpridos pelo poder público, sem que tanta luta e
discussão!
A Diretoria
O Dia do
Trabalho

Neste ano, o dia 1º de maio aconteceu no
contexto da crise econômica mundial. Na origem da crise estão o sistema
neoliberal globalizado e a falta de ética na economia e na
regulamentação do mercado, gerando corrupção e especulação. Embora nosso
país não tenha sido atingido com força total, postos de trabalho foram
ceifados e muitos salários reduzidos na cadeia produtiva.
A verdade é que crise financeira é apenas
uma parte de uma profunda crise social, política, cultural, ambiental e
ética que atinge diretamente a população mais pobre, privada de seus
direitos básicos: emprego, saúde, educação, habitação, saneamento
básico.
Entretanto, apesar das inúmeras dificuldades que enfrentam, os
trabalhadores tem se esforçado enormemente para o progresso da
humanidade e a crise atual representa uma oportunidade para mudanças em
direção de uma nova ordem econômica social.
É por meio das organizações profissionais
que os trabalhadores se expressam, indicando claramente suas aspirações.
Por isso, neste primeiro de maio as palavras de ordem de todas as
comemorações do movimento sindical incluíram: não às demissões,
valorização das aposentadorias, queda nos juros, redução da jornada de
trabalho sem redução dos salários, combate ao trabalho escravo e
degradante, investimento nas políticas públicas sociais.
O dia 1º de maio tem sido sempre um dia de
luto e de luta para os trabalhadores, que não vão esmorecer jamais em
sua busca por justiça social. Mas também é um dia de justa comemoração
para aqueles que ajudam a construir a riqueza deste país e enfrentam
todas as crises.
A Diretoria
Mulheres agredidas pela falta de “vontade
política”
Há exatos cinco anos
conhecemos o CMDM - Conselho Municipal de Direitos da Mulher da cidade
de Americana - onde começamos a participar, em regime de voluntariado,
de reuniões cujos debates eram desafiadores. As principais discussões
eram a “violência doméstica” e a preocupação com as políticas públicas
relacionadas à questão feminina através de uma perspectiva de gênero.
Ao refletir sobre
essas questões, obviamente essenciais para construir uma sociedade de
iguais, entendemos que o fato de marcar e respeitar as enriquecedoras
“diferenças” entre os gêneros, nos propunha uma nova maneira de pensar
sobre política e nossa participação na busca de saídas para problemas de
todos os cidadãos de Americana.
Ao longo destes anos
o Conselho refinou estas discussões e a entidade “pensa” a participação
de homens e mulheres, resguardando e (re)afirmando as demais formas de
expressão da sexualidade, muitas das quais, ainda hoje, quando
traduzidas para o senso comum ainda são limitadoras de acessos a
direitos.
Ao fazer esse
diagnóstico nosso principal objetivo é ampliar a eqüidade de gênero e
atuar basicamente através de ações sociais voltadas para a
conscientização de homens e mulheres sobre quais são os seus papéis e,
respectivamente, seus direitos. Segundo Simone de Beauvoir “não se nasce
mulher, torna-se” ao apreender o que é ser mulher e homem na sociedade
atual, aceitando-se ou não essa condição. Ao fazer parte da sociedade
aceita-se ou não a política imposta.
Neste momento, não
podemos aceitar o fato de que nos últimos meses, em nosso município, tem
havido um grande descaso em relação aos serviços essenciais para a
parcela da sociedade que sofre violência de gênero (mulheres em situação
de violência).
Ao tentar encaminhar
uma mulher para atendimento enfrentamos os seguintes problemas:
1. Equipe
interdisciplinar incompleta perante a exigência da lei em vigor no
município, que exige uma psicóloga, uma advogada, uma assistente social
e uma coordenadora. Atualmente, contamos somente com as duas últimas.
2. Desativação do
número telefônico de “Denúncia à Violência”. É importante frisar que o
mesmo foi arduamente divulgado nos últimos anos e agora não funciona.
Além disso, ao ligarmos para 180, número de atendimento nacional
disponibilizado pela Secretária Nacional de Políticas Publicas para
Mulheres, a informação sobre o número do CRM de Americana não está
disponível. Portanto, ainda que o serviço funcionasse, não estaria sendo
divulgado e ao alcance de quem precisa.
Assim, uma vez que as
ações voltadas ao combate à violência de gênero devem ser tomadas
adequadamente pelo órgão competente para tal fim, nós, enquanto
sociedade civil organizada, ficamos de mãos amarradas se o serviço é
relegado e mal conduzido, enquanto muitas mulheres são privadas de seus
direitos, sendo continuamente agredidas. Tentamos ir além do simples ato
de votar, exercendo cidadania, participando da elaboração de políticas
públicas e sabemos perfeitamente que entidade sem o respaldo do poder
público não consegue funcionar adequadamente.
Portanto, temos uma
parcela da população duplamente privada de seus direitos: primeiro ao
sofrer violência em casa e segundo ao não ter acesso aos serviços
públicos que as acolheriam, protegeriam e encaminhariam.
Desta forma,
o que nos resta além da denúncia é refletir de que forma poderemos
alterar esse quadro e nos responsabilizarmos, enquanto sociedade e poder
público, no atendimento desta situação: a violação de direitos das
mulheres. Este é um nó difícil de ser desatado, um processo lento em um
país onde o clientelismo e os favores pessoais (resíduos da sociedade
patriarcal bem conhecida por nós mulheres e grande produtora da
desigualdade de gênero) estão acima das amplas questões sociais.
Helena Ribeiro da
Silva
Presidenta SEAAC
MÃO
DUPLA!
O jornal O LIBERAL, versão impressa tem um novo
espaço de foco crítico sobre os principais fatos envolvendo a região formada
por Americana, Santa Bárbara d'Oeste, Nova Odessa e Sumaré. Desde 1º de
abril a página 3 do LIBERAL também é de Opinião, ampliando o debate
interpretativo. Mas, mais que isso: o jornal promete que vai se posicionar,
diariamente, sobre os fatos, sempre em defesa do interesse público.
Sem questionamentos, ter a informação certa nas
mãos faz uma grande diferença na forma com que vivemos hoje. Pode ser o
mais simples boletim meteorológico que evita que você escolha o destino
errado das próximas férias, ou o boletim que orienta investidores do mercado
futuro. Informação é poder e quanto mais confiável e íntegra ela for, mais
robusto será o seu processo de tomada de decisão e, conseqüentemente,
maiores serão suas chances de sucesso. Tem sido sempre assim e não há
qualquer indício de mudança.
Mas a informação nos dias de hoje já deixou de
ser uma via de mão única na qual o jornalista informa e o público lê! Os
leitores querem participar da cobertura do jornal e os jornais precisam
mudar sua cultura. Esta abertura para o leitor é uma necessidade e o jornal
que não se modificar vai ficar para trás.
Por isso, a ampliação do espaço cedido ao
leitor pelo jornal O Liberal é muito bem vinda, uma vez que o leitor que
escreve ao jornal busca, nesse meio de comunicação, uma forma de mediação:
quer que o jornal seja um espaço para debate de temas no âmbito da esfera
pública; quer também participar e briga por um cantinho nessa imensa arena
pública; e este leitor quer também soluções e procura no jornal o papel do
intermediador, aquele que defende os seus interesses junto aos governos
local ou federal ou até mesmo junto a empresas privadas. Mais do que nunca o
tripé informar, formar e transformar deve ser respeitado unindo informantes
e informados, nma via de mão dupla.
A Diretoria
Projeto Eleitoreiro
O projeto de construção
de um Hospital da Mulher, oficialmente denominado Centro de Atenção à Saúde
da Mulher (CASM), uma das plataformas da campanha para a reeleição de Silvio
Félix (PDT) e da ex-secretária de Saúde Elza Tank (PTB) na última disputa à
Câmara, deverá sofrer alterações significativas. Há sérias dificuldades
para a Prefeitura de Limeira inaugurar o hospital, principalmente pelo alto
custo operacional que esse tipo de modelo de atendimento à saúde pública
exige.
Oficialmente, o governo
municipal fala pouco sobre o assunto. Uma das mudanças do projeto original,
será a divisão do seu espaço com um outro tipo de unidade de saúde - um
Ambulatório Municipal de Especialidades (AME), estrutura ligada ao Estado,
anunciada para Limeira e confirmada pelo prefeito. Não bastase isso, as
obras estão atrasadas. Segundo cronograma divulgado inicialmente, o prédio
deveria ter sido concluído em dezembro de 2007.
Uma pena, que mais uma
vez a falta de planejamento e eficiente administração estejam jogando abaixo
um projeto tão importante para as mulheres da região. Fica evidente que o
município não consegue administrar um hospital deste porte. A questão
estrutural de atendimento envolve gastos elevados, levando-se em conta a
dimensão que se deu ao prédio. A Secretaria da Saúde hoje também não dispõe
de pessoal para trabalhar no hospital. Vagas efetivas da área médica teriam
que ser criadas e abertos concursos públicos. Fica a certeza de tratar-se de
um projeto eleitoreiro, que só Deus sabe "se" e "quando" poderá
concretizar-se.
A Diretoria
IMPRESSÕES DE UMA
COMEMORAÇÃO NECESSÁRIA: O DIA DA MULHER

Em um final de semana ensolarado as mulheres
trabalhadoras dos SEAACs do Estado de São Paulo reuniram-se no litoral sul,
na cidade de Peruíbe, para comemorar o “Dia Internacional da Mulher”. Um
evento da Secretaria de Assuntos da Mulher Criança e Adolescentes da FEAAC.
Esta data histórica marca e une dois movimentos sociais que compartilham a
vontade de diminuir a violência e a desigualdade no mundo: o movimento
sindical e o feminista.
O evento além de promover uma integração de
várias cidades, e, portanto, várias realidades, produziu uma troca de
experiências de mulheres que tem no desejo e na luta algo em comum: à busca
por maior equidade de gênero e igualdade no mundo do trabalho.
Assim, todas que participaram, obtiveram, além
de mais conhecimento, necessário para a conscientização no processo de busca
de direitos, complementos para reequilibrar seus anseios pessoais, através
da vivência de momentos de extrema emoção. Ampliaram seus horizontes com
uma apresentação artística, assistindo a uma peça de teatro que despertou em
todas um momento de “catarse” coletiva.
Muitos depoimentos emocionantes e muita
sensibilidade marcou a primeira parte de evento, ainda no sábado pela manhã.
Cercadas de música e literatura, as mulheres sentiram-se à vontade e
contaram suas histórias marcadas pela violência. Meu Deus, quantas histórias
iguais com vários nomes, quantos desejos em um: viver uma vida sem
violência, com respeito e dignidade.
No sábado à tarde pudemos entender como o poder
judiciário, meio mais civilizado de resolver um conflito, lida com as
questões relacionadas à violência de gênero. O júri simulado pautou-se em
uma história real e nos mostrou de que forma a nossa sociedade, via lei,
deve restabelecer a igualdade de gênero ao resolver questões privadas que
por não serem resolvidas no âmbito pessoal acabam por necessitar de um
mediador.
No domingo ouvimos uma história de “vida”, um
exemplo para todas nós mulheres. A história da participação de uma guerreira
no legislativo do Estado de São Paulo, Célia Leão, que nos inspirou a
participar efetivamente da política, assumindo nosso lugar de direito nas
esferas do poder, para que assim o movimento feminista seja ouvido e faça
diferença na sociedade brasileira. Tudo isso, porque, simplesmente, nós
mulheres podemos!
Helena Ribeiro da Silva
MULHERES
CUIDANDO DA VIDA !
Nos últimos anos as mulheres tem caminhado a
passos largos rumo à igualdade com os homens, mas muitos passos ainda
precisam ser vencidos. Ainda assim o quadro geral é positivo.
Enfrentando diversas discriminações e adaptações em relação aos “afazeres
puramente femininos”, como cuidar de casa e da família, a mulher conseguiu
superar suas dificuldades e ainda administrar seu tempo a favor de suas
atividades, para que as questões familiares não entrem em conflito com
questões profissionais e sociais
Desse modo, as mulheres estão espalhando a sua feminina influência em todas
as esferas da sociedade, mostrando que estão plugadas como um satélite,
captando os sinais recebidos de múltiplos transmissores e processando todas
as informações. Ao mesmo tempo em que está passando os apontamentos para a
reunião de trabalho na qual vai entrar, está também ligada nas necessidades
do marido, analisando a escola do filho, administrando o orçamento da casa.
As mulheres são capazes de pensar em muitas coisas ao mesmo tempo, sem
descuidar dos detalhes, porque tem um cérebro afinado para reagir ao macro e
ao micro ao mesmo tempo, diferentemente dos homens. Esta diferença faz com
que elas sejam muito mais aplicadas em todas as atividades e assuntos nos
quais estão envolvidas.
E, neste momento, o assunto mais importante ao qual milhões de mulheres
estão se dedicando é "cuidar da vida" para que ela seja mais justa e
equilibrada entre os gêneros. Esta postura de cuidar da vida, da sua vida,
da vida de sua família, da vida de sua comunidade é uma visão social macro
que começa a ser realizada através de ações micros realizadas por mulheres
comuns, sem um rosto definido ou um nome conhecido que se entregam por
inteiro em todas as demandas nas quais são exigidas: batalhar por trabalho,
saúde, habitação, segurança, ampliando seu espaço de atuação, influência e
poder a cada dia.
Mais do que nunca é oportuno lembrar que as conquistas de hoje foram
contabilizadas com alto preço (lágrimas e sangue) e avaliadas como vitórias
pela sua dimensão histórica. A valorização das mulheres na sociedade é
apenas uma noção de direito, um ato de merecimento que lhes conferem
direitos sociais, políticos e econômicos iguais aos dos homens e aos quais
elas fazem jus, sem nenhuma dúvida!
A Diretoria
FERIDA
ABERTA....
O ano começa com uma ferida aberta nas relações
de trabalho, muitas demissões e um ar de insegurança total. A imprensa
divulgou que muitos sindicatos e um grande número de empresas e
trabalhadores preferiu não esperar o resultado do debate público sobre
flexibilização de direitos trabalhistas e fecharam acordos que envolvem
desde banco de horas - em que a redução de trabalho numa época é compensada
por horas extras em outro período - até redução de jornada e salários. A
justificativa é que estes acordos são uma alternativa às demissões, mas não
deixam os trabalhadores imunes a cortes.
Surpresos, como sindicalistas tentamos avaliar
o custo/benefício embutido nestas propostas de alteração das convenções já
acertadas entre sindicatos e empresas, uma vez que negociar não é fácil,
ainda mais em posições tão opostas e desiguais como as de patrão e
empregado. Em períodos de crise, então, é necessária muita ética para não
perder de vista que, embora os lugares e interesses sejam opostos, o melhor
para as duas partes é procurar um caminho que leve todos os envolvidos ao
desenvolvimento e crescimento tanto econômico, quanto social.
Cabe aqui um parênteses sobre “flexibilização
de direitos”: difícil imaginar que dentro de uma lógica capitalista, patrão
e empregado, podem chegar a um consenso onde a igualdade de direitos
prevaleça; logo, flexibilizar nos cheira a perda de direitos. Direitos
decorrentes de muitos anos de luta e resistência, não obra do acaso ou
dádiva do Estado ou de qualquer um dos seus representantes, mas de ações de
um movimento social de trabalhadores que tem no sindicato, hoje, seu maior
respaldo.
Não cabe aqui, apontar falhas ou mesmo criticar
qualquer postura de companheiros diante da crise. Mas a proposta é avaliar e
refletir sobre nossas ações dentro desse processo conflituoso, preservando
direitos já conquistados, para em seguida poder ampliá-los e não
restringi-los. Ter consciência do nosso papel de sindicalista/trabalhador é
saber que a discussão dos direitos parte de princípios que vão ao encontro
da relação que o trabalhador tem com as suas conquistas, ou melhor, da forma
como o brasileiro, culturalmente, incorpora sua cidadania.
Um exemplo claro, que está em pauta hoje, é o
excesso da jornada de trabalho. De que forma o trabalhador, que é obrigado a
fazer uma jornada excessiva para não entrar na “lista negra” de dispensa,
pode entender seus direitos de cidadão? E mais, de que maneira esse
trabalhador consegue visualizar o sindicato como meio de resistência frente
ao autoritarismo comum nas relações de trabalho em nossas empresas, onde é
normal incorporar expressões do tipo: “manda quem pode, obedece quem tem
juízo.”
Não existe uma saída certa ou caminho único
para sanar esses graves problemas; precisamos usar a inteligência para
buscar rotas alternativas e promissoras, trabalhando com esforço e
persistência neste processo, que neste momento só nos confere uma firme
certeza: não podemos falar em flexibilizar direitos para quem, ainda, está
tentando garantir os seus.
Helena
Ribeiro da Silva
Presidenta do SEAAC
AOS POUCOS
LEI MARIA
DA PENHA É IMPLEMENTADA
O Tribunal de Justiça de
São Paulo, ganhou o 1º Juizado Central de Violência Doméstica Familiar
Contra a Mulher. Sob o comando da juíza Vanessa Ribeiro Mateus, o novo
juizado conta com uma equipe multidisciplinar de sete profissionais como
psicólogos, assistentes sociais, assessores jurídicos e escreventes. São
funcionários sensibilizados com a causa da mulher que sofreu qualquer tipo
de violência em seu ambiente familiar. Os juizados especiais representam um
dos principais amparos à mulher vítima de violência, previstos na Lei Maria
da Penha.
Atualmente o país tem 61
juizados ou varas especiais para atendimento, 67 casas de abrigo, que
acolhem mulheres ameaçadas e 125 centros de apoio social e psicológico, além
de 421 delegacias especializadas no atendimento à mulher nos 27 estados. A
meta do governo é ter, até 2011, 808 dessas delegacias no Brasil.
Embora lentamente, as
iniciativas do governo nesta área estão acontecendo, mas ainda falta muito
para que todos os municípios brasileiros tenham seu juizado e que os
serviços já oferecidos sejam de primeira qualidade.
Também é interessante
lembrar que a Central de Atendimento à Mulher registrou 32% mais
atendimentos em 2008 que em 2007, segundo balanço divulgado pela Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres - SPM, um crescimento de 204.978 para
269.977, sendo que 117 mil foram apenas para pedir informações sobre a Lei
Maria da Penha, que aumenta punições em caso de violência doméstica. A SPM
calcula que, entre as razões para o aumento da procura pelo serviço - que
pode ser acessado pelo número de telefone 180 e funciona 24 horas todos os
dias da semana - está a maior divulgação da lei, que foi criada não apenas
com o intuito de punir o agressor da mulher, mas também cuidar de toda a
família.
Graças a Lei Maria da
Penha a sociedade ficou mais atenta às discussões sobre este tema,
procurando maiores informações e conhecimento sobre seus direitos. Desse
modo muitas mulheres estão conseguindo vencer o medo e o silêncio sobre a
violência vivida no cotidiano doméstico, denunciando seu agressor. Pena que
ainda exista uma espécie de “resistência cultural” em alguns setores da
sociedade, que questionam, por exemplo, a constitucionalidade da lei, uma
posição vergonhosa que afronta mulheres e homens de bem!
A Diretoria
CRISE OU
OPORTUNIDADE?
Quando
encontramos um problema em qualquer área da nossa vida: econômica; política;
psicológica; emocional, procuramos saídas para essas questões e, para isso,
fazemos escolhas pautadas na nossa experiência, nas teorias, na nossa
análise da realidade, buscando soluções para resolver aquilo que está nos
impedindo de evoluir.
No entanto,
às vezes nos deparamos com situações que alteram o curso ordinário das
coisas: as famosas crises. Podemos olhá-las como algo conjuntural ou como
simples acontecimentos passageiros e dar-lhes soluções paliativas. Podemos
também refletir, analisando-as como conseqüências de fatos anteriores,
ocasionados pela própria ordem vigente. Ao optar por esse olhar, poderemos
encontrar soluções definitivas para solucionar a crise.
Hoje, não
podemos mais pensar nossa vida individualmente, pois, uma vez que vivemos
num mundo globalizado, as conseqüências das nossas escolhas e decisões são
experimentadas por todos. Ora, nós fazemos parte de uma sociedade
capitalista, compramos e possuímos coisas.
A atual
crise financeira é resultado da estrutura e pensamento econômico americano,
que eclodiu com a inadimplência dos compradores de imóveis, aliada a
ganância dos especuladores, causando a bancarrota de empresas e aumento do
desemprego. Um efeito colateral da dinâmica do mercado financeiro, que
espalhou-se pelos cinco continentes.
Neste
momento o movimento sindical brasileiro precisa estar com sua atenção
redobrada para analisar sem paixão de que forma o país será atingido pela
crise, uma vez que desde a década de oitenta vivemos um processo de
liberalização da economia e desregulamentação do mercado financeiro, quadro
no qual as incertezas se ampliam e as negociações podem ficar mais difíceis,
se a turbulência permanecer por maior tempo.
Assim, o
lugar social e econômico dos países emergentes deve ser rediscutido e também
o papel do trabalhador, com o intuito de incluí-lo dentro da economia
mundial de forma sustentável. Os sindicatos têm vital importância neste
equilíbrio de forças uma vez que representam o movimento social de luta por
igualdade no mundo do trabalho.
Vale ainda
lembrar Stuart Hart, importante economista, que indica saídas inovadoras
para a atual conjuntura, sustentando que o futuro do capitalismo e a
diminuição de seu impacto sobre os recursos naturais do planeta dependem do
desenvolvimento de novas tecnologias, em especial energias limpas, além da
inclusão dos mais pobres na cadeia de consumo.
Olhando por
este ângulo, o papel do Brasil neste cenário é de vital importância e isto é
confirmado pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas - ONU, Ban
Ki-Moon, que citou o Brasil como um dos exemplos da "economia verde" que o
resto do planeta precisa seguir: "O Brasil construiu uma das economias mais
verdes do mundo, criando milhões de empregos neste processo".
Assim, se o
capitalismo, com sua forma de atuação é responsável por crises de tempos em
tempos, elas devem ser incorporadas não com o olhar de medo, mas, como algo
que indica caminhos para transformar paradigmas e propiciar mudanças.
Helena
Ribeiro da Silva
Presidenta do SEAAC
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